Uma escritora (sempre) em crise
[26] como lidar com a própria exigência e expectativa de excelência ou perfeição?
Tento ser uma escritora diferente cada vez que começo a escrever um texto, mas acabo sempre chegando no mesmo lugar. E que lugar é esse afinal? Não acho que tenho o estilo definido como meu – quem me dera ter, porém tenho que ser realista e admitir que escrevo de um jeito “torto”, sem muito sentido e sem conexões exemplares de um bom ensaio.
Eu leio as edições de Nevoeiro da Carol Bensimon e fico com inveja do jeito que ela escreve. Talvez seja porque ela tenha coisas mais interessantes pra contar sobre sua vida na Califórnia como a escritora de sucesso que é, e não acho que eu tenha muitas, nem perto das dela.
Nem estou me comparando tanto, só que é isso, estou sempre em crise com minha escrita, não sabendo o que quero escrever nem como escrever.
Tudo bem não ter respostas para tudo, mas para esse dilema eu queria que houvesse algum conselho mais objetivo, mas sei que não é o caso.
O magdiel desenhou essa historinha aqui:
Eu respondi no comentário:
Só porque a gente cria/é criativo, as pessoas acham que temos respostas para algum problema. Mas a verdade é que nós artistas estamos sempre em crise, o que muitos fazem é não desistir, insistir naquilo que amamos fazer, independentemente do bloqueio/da crise. Aí querem “receita milagrosa do que a gente faz” mas só estamos aqui tentando não ser engolidos pela autocrítica e auto sabotagem…
Ele curtiu. Porque acho que é verdade.
Posso falar muito por mim. Estou sempre em crise de escrita, mas não desisto. Apenas faço pausas longas porque nem sempre dou conta de “equilibrar os pratinhos” da vida; raramente consigo, aliás. Mas claro, é sempre uma frustração quando fico meses sem escrever alguma edição, só que não tem jeito, se eu começo projetos ou dou continuidade em alguma dessas coisas vai ficar a desejar, e no caso de agora a entre_linhas tá meio parada (bom, agora não tá mais pois estou aqui escrevendo uma edição, mas vocês entenderam).
Voltei a vlogar. Agora tenho que dividir minha atenção com textos e vídeos. Não tenho regularidade definida em nenhum deles, mas estou esperta em fazer o que me aparecer de inspiração e vou executar quando achar que dá.
Como tenho tido mais tempo de gravar os vídeos, aproveitei que estava inspirada e fui fazendo. Semana passada não consegui, mas não fiquei chateada, só pensei que essa semana vou dedicar um dia para fazer isso, então. Mas com minha escrita não é bem assim.
Tem muitas coisas passando pela minha cabeça e não consigo me concentrar para escrever. Preencho as folhas com muitas palavras, mas não consigo achar um ponto comum nelas para formar um texto. E isso não é de hoje, meio que sempre vivi assim com o ato de escrever. Porém nos últimos tempos tenho tido mais dificuldade nessa concentração em tirar um tempo para escrever para os meus projetos de escrita – o blog e essa newsletter. Claro, eu também quero conseguir ler, estudar, gravar vídeos (fora as outras coisas tidas como nossas obrigações de adulto, trabalho, casa etc.). Parece que o tempo encurtou, não o tenho mais como antes, ou talvez tudo isso seja estar exigindo demais de mim mesma. Isso não acontece com as outras coisas, mas com a escrita é sempre um dilema.
O que pode mudar a cabeça de alguém para que pare de ter essas crises? Provavelmente nada de pronto, senão não haveriam tantos artistas em crise de processo criativo.
E nós existimos aos montes. Não sou a primeira nem serei a última, no entanto, a única que sente o que está aqui dentro (e isso individualmente com cada pessoa com sua própria crise artística) da forma que sinto, observo uma certa dificuldade a mais nisso tudo, ou sei lá.
Ouvi esses tempos “Dê-se a devida desimportância” e isso pode ser um bom conselho, afinal, pois sinto isso com relação ao meu canal. Sou desimportante e por isso sou livre e não devo explicações nem tenho de satisfazer expectativas de ninguém, então crio meus vídeos com tal desprendimento, criando o que gosto; tem dado muito certo. Deveria carregar essa dica para minha criação textual, já que continua fazendo sentido para ela também.
Se tem uma coisa que aprendi estudando filosofia é que não temos que dar conta de tudo de uma única vez, é rearranjar as coisas para que elas possam fazer parte da nossa vida nem que seja aos poucos, um pouquinho por dia. Sem exigirmos demais de nós mesmos, pois já estamos fazendo e aguentando muito — ainda mais sendo artistas, não é mesmo?
Até a próxima edição! (que espero ser em breve)



E que segamos aqui, amiga. Mesmo que demore, mas que a gente não pare com a arte
Quem engarrafar essa solução vira milionário. Concordo com você que estamos sempre em crise, cada nova página em branco é uma provação, mas de alguma forma seguimos aqui. Beijos